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O CLUBE DOS 15 | POR MOISÉS ELIAS

Depois que atingimos certa idade, os presentes de natal e aniversário começam a ficar escassos. Talvez, possa ser nesse ponto que somos obrigados a nos reconhecermos como adultos. E o que fazemos frente esta brutal realidade? Nos presenteamos e exercitamos nossa autoestima. 

 Antes que você considere isso após ter lido o primeiro parágrafo, este texto está longe de ser algo sobre autoajuda. Então, vamos ao que de fato interessa. 

Neste natal resolvi exercitar meu narcisismo me presenteando. Nada demais, apenas uma mera lembrancinha reconhecendo o grande feito da pessoa que me tolera 24 horas por dia: no caso, eu mesmo. 

Comprei uma camisa do Goiás. Eu não sou torcedor esmeraldino, Porém, quem me conhece sabe que sou um ávido colecionador de camisas de time e, também um grande apreciador de designs diferenciados alá anos 1990.

Acontece que o time do Paraíso Verde e Plano do Brasil (como diria Milton Neves), assim como outros clubes do Brasil adotaram como fornecedora de material, uma marca própria, a Green33.

É de bom tom, que eu admita a vocês que eu alimentava uma severa resistência a estes produtos, muito por conta da suposta qualidade duvidosa que eles poderiam apresentar. Mas fui surpreendido pelo produto que me foi entregue.

Os detalhes, o corte, o tecido não devem em nada para as marcas tradicionais como Nike, Adidas ou Umbro, por exemplo. A camisa entrega o que de fato propõe no bilhete que vem anexado em sua caixa. 

Nos últimos tempos, times de médio e pequeno porte do futebol brasileiro, têm aderido a essa nova prática de confeccionarem seus próprios uniformes. Entre os 40 clubes que disputam as séries A e B do Campeonato Brasileiro, 15 ostentam sua marca personalizada. Ou seja: eles já são mais de um terço entre os concorrentes.

E qual a vantagem de se ter uma marca própria? Em tese, falando grosseiramente; o clube tem sua arrecadação aumentada vertiginosamente. É como se ele encomendasse roupas a uma confecção e depois as revendesse –, obviamente buscando sua margem de lucro. 

Fato que não acontece quando se tem um contrato assinado com uma tradicional fornecedora de material esportivo. Fica-se preso à porcentagem que o fabricante oferece nas vendas de camisas e outros materiais. 

No fim de 2019, o Bahia anunciou um faturamento de 8 milhões de reais, o que segundo o time da Boa Terra significa um lucro de 316% a mais do que em 2018, quando vestia Umbro. 

Eu sempre gosto de enfatizar que os clientes que estão no futebol, são diferentes dos que habitam em qualquer outro tipo de segmento. No futebol seu cliente irá consumir seu produto mesmo que em campo as coisas não estejam indo bem. 

Camisas, agasalhos, bonés; utensílios para casa. Tudo tem potencial para ser comercializado. 

Arrisco-me a dizer que, se as grandes marcas não buscarem alternativas, principalmente no que tange ao financeiro dos clubes – nos próximos anos veremos os gigantes do nosso futebol comercializando suas próprias camisas. E cá para nós, lucrando muito com isso. 

Jornalista, graduado pela UniBH, Especializado em marketing digital. Um apaixonado pelo futebol e pelos esportes de aventura. Atualmente atua como repórter e colunista do portal de marketing esportivo Brand Bola.

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