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A importância do posicionamento de marcas e ligas esportivas no combate contra o racismo | Por André Romero

Pautas envolvendo a diversidade na sociedade vêm ganhando destaque nos últimos anos, onde as discussões envolvendo a valorização de minorias ou de grupos historicamente desvalorizados, e suas respectivas inserções nos mercados de trabalho, ganham cada vez mais espaço.

Recentemente, o assassinato brutal de George Floyd por um policial em Minneapolis nos Estados Unidos e a sua repercussão na mídia, foram responsáveis por um grande movimento social contra o racismo, que, apesar do núcleo ter sido nos Estados Unidos, pôde ser observado em diversas partes do mundo.

Isso fez com que muitas pessoas refletissem sobre o tema, que não tem tanto espaço em algumas realidades. Analisando a própria estrutura da sociedade, podemos perceber que apesar da evolução estar de fato ocorrendo, diversos mercados podem melhorar sua postura em relação a isso.

Um desses mercados é o esportivo.

Marcelo Carvalho, diretor executivo do Observatório da Discriminação Racial no Futebol, em entrevista ao blog do Rodrigo Capelo (Globoesporte), ressalta a falta de diversidade no mercado esportivo. Segundo ele, cabe a nós refletir sobre a atual conjuntura do mercado e também promover essa diversidade, para que a inserção de profissionais negros seja mais presente. Isso representaria não só uma evolução ética, mas também uma própria evolução no mercado, pois a carência da inserção de profissionais com esse perfil pode levar a um gap de comunicação entre os clube e suas torcidas.

O esporte é um ótimo meio de entretenimento, porém ele é muito mais que isso. Manifestações ideológicas estão presentes nele, e não é de hoje. Um dos casos mais emblemáticos ocorreu há 51 anos atrás no dia 16 de outubro de 1968, onde no pódio os norte-americanos Tommie Smith e John Carlos não olharam a bandeira em respeito à nação, mas baixaram a cabeça e ergueram o punho, com luvas pretas, remetendo a saudação dos Panteras Negras.

Um caso mais recente foi o do antigo quarterback do San Francisco 49ers Colin Kaepernick. Em um jogo de pré-temporada da NFL em 2016, Kaepernick abaixou-se durante o hino nacional, recusando-se a cantá-lo. Ele também usou meias que tinham imagens de policiais caracterizados como porcos durante os jogos. “Não vou me levantar e mostrar orgulho pela bandeira de um país que oprime o povo negro e as pessoas de cor”, disse ele após o jogo de 2016.

Fonte: Michael Zagaris/San Francisco 49ers/Getty Images

Outros atletas foram engajados na causa pela atitude de Kaepernick, porém a reação da NFL e do próprio 49ers não foi positiva. A liga, sobretudo na figura dos donos de outras franquias, minou Kaepernick e lhe fechou portas. O atleta teve o contrato rescindido com sua antiga equipe e nunca mais se recolocou na NFL.

Aqui no Brasil, atletas como Jean Pyerre do Grêmio e Igor Julião do Fluminense se posicionaram em relação ao racismo e a violência através de suas mídias sociais, mas a realidade brasileira é que ainda podemos evoluir nesse aspecto.

Comparando com o cenário internacional, parece que ainda estamos alguns passos atrás, apesar de estarmos no caminho certo. Na retomada do futebol da MLS, principal liga de futebol dos Estados Unidos, um expressivo manifesto ocorreu antes do pontapé inicial do jogo entre Orlando City e Inter Miami.

Mais de 100 jogadores negros da Major League Soccer entraram em campo, no complexo esportivo da Disney, em Orlando, vestidos com camisas que clamavam por justiça social, além de luvas e máscaras pretas. Estendidos nas linhas de campo, os jogadores ficaram de punhos erguidos, enquanto os que iriam disputar a partida ficaram de joelhos no círculo central do meio campo durante o protesto que durou cerca de 5 minutos.

Times da NBA, como os Lakers, Chichaco Bulls, Milwaukee Bucks e entre outros, também se posicionaram a favor da luta contra o racismo em suas mídias sociais, demonstrando a insatisfação com a realidade de injustiça e preconceito racial em que estão inseridos.

Diversos casos de racismo no esporte já ocorreram aqui no Brasil, e para que ele seja combatido, é necessário a tomada de ações antirracistas, o que pode ser facilmente reforçado no discurso dos clubes e das entidades esportivas.

A questão é que o conteúdo consumido pelas pessoas pode impactar diretamente na forma em que elas enxergam o mundo. O posicionamento em relação a causas como essa pode fazer com que quem esteja vendo a mensagem comece a refletir sobre o tópico, e consequentemente ter uma opinião mais estruturada sobre o assunto. A mensagem expressa por uma marca pode ser muito poderosa, podendo ter mais peso do que discursos feitos por outros tipos de perfis.

A demanda do público brasileiro ao combate do racismo vem crescendo, o que também foi influenciado pelo movimento social iniciado nos Estados Unidos. O racismo ainda é algo estruturado na nossa sociedade e que muitas vezes não é demonstrado através de gestos como ofensas, mas pequenas atitudes relacionadas ao discurso utilizado ou até na própria postura que exercemos no nosso dia a dia.

O brasileiro, de forma geral, é bastante conectado com o esporte, principalmente o futebol. Apesar de ser uma ótima forma de entretenimento, ele também pode ser uma eficaz ferramenta de transformação social.

Tanto os clubes quanto as entidades podem ter um protagonismo nessa luta, contribuindo através de mensagens e ações para o direcionamento de uma sociedade onde a injustiça social seja cada vez menor.

Cursando Publicidade e Propaganda na PUC-RIO. Apaixonado por futebol desde cedo, escrevo para o Brand Bola sobre sócio-torcedor e relação torcida-clube. Instagram: @andreromero98

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