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A volta do Campeonato Carioca e seus desdobramentos por trás da bola

Nessa semana a Ferj tomou uma decisão polêmica com a volta dos jogos de futebol, entenda mais sobre a decisão tomada e seus desdobramentos.

Na última segunda-feira, dia 15, surgiram especulações da Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (FERJ) de que o Campeonato Carioca seria retomado ainda nesta semana. 

 

Hoje, a decisão foi confirmada com o aval do prefeito da cidade do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, após reunião realizada entre o prefeito e os clubes. O governador Wilson Witzel já tinha dado o aval para a volta do futebol, desde que os clubes responsabilizem-se pelas possíveis consequências. A organização lançou nesta tarde, o protocolo de segurança que serão adotados para as partidas, com destaque para a realização de, no máximo dois jogos por dia e a utilização de apenas 5 estádios: Maracanã, São Januário, Nilton Santos, Conselheiro Galvão (Madureira) e Luso Brasileiro (Ilha do Governador).

 

Assim, amanhã a bola rola no Estádio do Maracanã, com portões fechados, em partida válida pela 4.ª rodada do estadual, vale ressaltar que o estádio está localizado ao lado de um hospital de campanha da COVID-19. A decisão não foi unânime entre os times da Série A do Estadual. De um lado Botafogo e Fluminense se uniram contra a volta dos jogos e a decisão da FERJ, do outro lado Flamengo e Vasco encabeçam a discussão a favor da volta do Campeonato, seguido pelas demais equipes da competição. O fato é que o Rio de Janeiro retoma com o futebol em meio a um momento de incerteza e que ainda convive com o drama do coronavírus. Segundo o Boletim de Saúde divulgado pela Secretaria Estadual de Saúde do Rio de Janeiro, na última terça-feira, dia 16, o estado contava com 83.343 infectados e 7.728 mortes, nas últimas 24h o Estado do Rio de Janeiro  registrou 239 óbitos e 2.397 casos. Só na capital, local em que se localizam 3 estádios que receberão os jogos, foram contabilizadas mais de 5.239 mortes. 

 

O Rio de Janeiro ainda não viveu o pico da doença, e ao invés de olhar cuidadosamente para seus números e tomar medidas de precaução e combate ao coronavírus, direciona seu olhar para os gigantes do futebol e a volta do fortíssimo estadual *contém ironia. 

 

Para efeito de comparação, o Rio de Janeiro, que assim como o Brasil não teve o pico da doença confirmado, retoma as atividades esportivas duas semanas após a reabertura e retomada das atividades. Comparando com outros países, a Espanha retornou com o futebol na semana passada, 71 dias depois do pico de casos registrados, a Itália voltou com o futebol 83 dias depois do pico e o Reino Unido, voltou com a Premier League só nesta semana. 

 

Por que voltar com o Campeonato? A resposta está diretamente relacionada às questões políticas e financeiras de alguns dirigentes das equipes, de governantes e da pressão de patrocinadores. Nessa hora, faltou o bom senso e a empatia com as vítimas do coronavírus, seus familiares e toda a população que está respeitando a quarentena. 

 

Entenda o posicionamento de Botafogo/Fluminense x Flamengo/Vasco  

 

No Estado de São Paulo, os 4 grandes times tem trabalhado em conjunto com o governo estadual para chegarem juntos na melhor decisão de retomada do futebol. Em Minas Gerais, os times também estão dialogando de acordo com as orientações e regulamentações da Federação Mineira de Futebol e do Governo Estadual e as cidades em que possuem suas sedes. Já o Estado do Rio Janeiro, às discussões sobre a volta ao trabalho presencial e aos jogos tomou aspectos diferentes dos demais estados do país. Ao invés da união dos 4 grandes em prol das melhores resoluções, houveram pólos contraditórios: de um lado, Botafogo e Fluminense e do outro Flamengo e Vasco. A primeira discussão polarizada foi referente a volta aos treinos, enquanto Flamengo e Vasco pediam a volta dos treinos presenciais ainda em maio, Botafogo e Fluminense se mostraram contrários a retomada das atividades presenciais em meio a quarentena. 

 

No começo do mês de junho a prefeitura liberou a volta aos treinos, o Flamengo já treinava presencialmente desde o fim de maio, e o Vasco, que chegou a ter 19 jogadores confirmados com o coronavírus, retomou as atividades no meio da última semana. Já Botafogo e Fluminense se mantiveram em quarentena e optaram por não reabrir seus centros de treinamentos. Com o anúncio da volta do campeonato, Botafogo e Fluminense tentam agora, correr contra o tempo para se organizarem para a competição. As duas equipes recorreram a justiça desportiva para remarcar seus jogos para julho, devido a falta de preparo físico dos atletas. O Sindicato dos Atletas do Rio de Janeiro também se posicionou e pediu 15 dias de pré-temporada antes do reinício dos jogos. Caso os jogos retornem, e os times que estavam fechados não tenham esse período de pré-temporada, além dos riscos referentes a pandemia, esses atletas estarão também sobre riscos de lesões. Mais do que achismo, é importante ouvir o que os profissionais têm a dizer sobre a volta precoce dos jogos, sem o período prévio de treinamento e readaptação.

 

“Existem muitos riscos relacionados a volta do campeonato sem o tempo de preparação adequado. Os atletas estavam treinando em casa, sem programa de musculação, sem bola e estamos sem ritmo de jogo. Uma partida exige muito do físico, da força, explosão, arranque e tempo de reação dos atletas, além, é claro as outras habilidades. O corpo do atleta estava acostumado a um estímulo totalmente diferente com os treinamentos em casa, o corpo e sua musculatura não está pronta para ser exigida ao seu máximo com as partidas. Cada corpo reage de uma fórmula e neste momento o necessário é manter toda cautela possível”, disse Marcela Ferreira, profissional de Educação Física. 

 

Opinião: possíveis desdobramentos da retomada dos jogos 

 

A retomada do futebol no Rio de Janeiro irá gerar muitos desdobramentos, que poderão apontar se foi certa ou errada a decisão de retomada dos jogos. O fator econômico e o fato dos times estarem sem dinheiro tem sido o ponto máximo a favor da retomada dos jogos. Mesmo que sem a renda dos públicos nos estádios, os times receberão valores referente às transmissões e a bola rolando pode incentivar a venda de produtos e até atletas que se destaquem. Vale ressaltar, que ontem, dia 17, o Grupo Globo questionou a FERJ sobre o modo como foi decidido a retomada dos jogos, inclusive apontando que os atletas de algumas equipes não estão em plenas condições físicas para volta e colocando em dúvida as transmissões das partidas. 

 

Porém, precisa questionar se esses dirigentes estão botando na papel os gastos que se tem para realizar partidas e participar dos campeonatos. Para abrir um estádio tem um custo, assim como a diária dos funcionários que trabalham nos jogos, além dos custos de alimentação, hospedagem, transportes, vestimentas, higienização etc. O Real Madrid, por exemplo, decidiu mandar seus jogos no estádio localizado em seu centro de treinamento, e assim, deixar o poderoso Estádio Santiago Bernabéu fechado para diminuição dos conta dos gastos. Vale ressaltar que antes da parada do futebol por conta da pandemia, o Campeonato Carioca já apresentava números negativos, referente a falta de atrativos para levar os torcedores aos estádios e o elevado custo de operação dos jogos nos estádios da capital. 

 

Uma verdade é que os profissionais que atuarão nos jogos estarão mais suscetíveis ao coronavírus. Para uma partida se realizar precisam de muitos profissionais, fora os atletas e comissão técnicos, existem fisioterapeutas, juízes, massagistas, operadores de estádio, profissionais da imprensa, seguranças, porteiros, motoristas, roupeiros, gandula e etc. O Campeonato Carioca possui times da capital e do interior, e com a decisão das partidas ocorreram em apenas 5 estádios, as equipes do interior terão que viajar até a capital para jogos, gerando assim um intercâmbio entre os grupos. 

 

Vale destacar também que possíveis lesões podem ocorrer com a volta precoce dos jogos, sem o período de preparação necessário para os atletas, afetando diretamente nas finanças do clube, como lembrado pelo preparador de atletas, Bruno Morelli. “Um atleta lesionado é um problema econômico, as equipes possuem gastos com os atletas e ter eles parados no Departamento Médico por muito tempo, além de afetar o rendimento esportivo, afeta também e as finanças da equipe. As comissões técnicas dos clubes estão preocupados em deixar esses atletas em condições de jogo e se preocupam também com todas as variáveis de treinamento para evitar lesões”. 

 

Além disso, com a volta dos jogos e da competitividade, indiretamente encontros entre torcedores para assistir e debater as partidas ocorrerão, aumentado a exposição da população ao coronavírus. Com a decisão tomada e a volta do futebol hoje, nos restas questionar e ficar de olho nesses e em outros resultados que virão. 

 

Texto escrito anonimamente por um colaborador.

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