O MUNDO DA LUA É O FUTEBOL, POR MOISÉS ELIAS

 

O Coronavírus parou nossa vida e certamente mudará o curso dela. E o futebol não está alheio a isso, ao menos é o meu desejo. Nós últimos dias acompanhamos os clubes brasileiros anunciando o corte em parte dos vencimentos de seus jogadores e de alguns funcionários, medida que foi  adotada frente à diminuição de arrecadação de receitas devido à pandemia.

Eu sempre vi o futebol como um setor à parte de nossa economia, pois o dinheiro que circula por lá, beira a surrealidade. Acostumamos a ver transferências de jogadores por 10,15,20 milhões de reais como banais, isto, sem falar nos salários astronômicos pagos.

Todo esse “harém financeiro” do futebol teve início nos anos 1990, quando o esporte passou a ser visto como uma atividade extremamente rentável. Grandes empresas passaram a adquirir os direitos de transmissão dos campeonatos e, expor suas marcas.

Craques e clubes mais populares viraram embaixadores de grandes marcas esportivas, como Umbro, Puma, Adidas e Nike. A globalização tratou de evidenciar e proliferar essa prática.

Transferências de atletas que, em décadas anteriores não passavam de uma quantia simbólica; passaram a ser verdadeiros caminhões de dinheiro. Empresários, procuradores, investidores tudo isso tornou a “máquina futebol” um produto extraordinariamente desejado em todo o mundo.

Entretanto, no futebol sul-americano – em especial no Brasil, os efeitos colaterais causaram a derrocada financeira dos clubes. Os leilões para contratar jogadores e os lunáticos salários pagos a partir daquela época, os tornaram uma bola de dívida ambulante.

Os clubes estão quebrados, quase à bancarrota.  São dívidas trabalhistas, com fornecedores, com credores; com a união –, estão estrangulados – clamam ardentemente por um mísero respiro que seja. Contudo, continuam pagando salários interplanetários.

Outro dia, estava eu assistindo ao programa Fox Sports Rádio, dos canais Fox Sports. O convidado era o goleiro do Ceará, Fernando Prass. A pauta era sua saída do Palmeiras, onde não se sentia valorizado –, com um salário em torno de  215 mil reais. (Revelado pelo prório Prass) Ora, senhoras e senhores… convido-os para uma breve reflexão: qual empresa oferece isso a um colaborador, por mais brilhante e indispensável que seja? A maioria das empresas do Brasil não tem esse faturamento mensal.

Já travei calorosos debates em mesas de botequins sobre este tema. Já escutei de um amigo “que o futebol paga altos salários aos jogadores por que circula muito dinheiro, então as agremiações podem pagar estes valores voluptuosos”. Discordo!

Se o futebol praticasse uma cultura mais realista sobre este aspecto; as finanças dos times seriam saudáveis, certamente teriam dinheiro em caixa para quitar suas dividas e, muito possivelmente para realizarem investimentos no futebol.

O futebol trafega por um caminho de coisas inimagináveis, caminha de mãos dadas com Alice em seu País de Maravilhas, porém, inconsequente e senil.

O corte nas receitas já capengas por causa do novo Coranavírus necessita causar principalmente no futebol brasileiro, uma profunda e responsável reflexão. Porque se os clubes fossem empresas, 98% já haviam declarado falência ao menos duas vezes.

Jornalista, graduado pela UniBH, Especializado em marketing digital. Um apaixonado pelo futebol e pelos esportes de aventura. Atualmente atua como repórter e colunista do portal de marketing esportivo Brand Bola.

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