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“Futebol Feminino: Uma era de oportunidades”, Por Raphael Dylan

Eu assumo. Nunca pensei em um dia poder falar sobre o crescimento do Futebol Feminino. Mais pela falta de incentivo do que propriamente pelo esporte. Era muito difícil apontar um norte para essa evolução, mas hoje, o Futebol Feminino virou um nicho específico dentro do clube de futebol, assim como as categorias de base.

Há algum tempo, a discussão em conferências era de como o Futebol Feminino poderia se adaptar para ser mais atrativo e ter mais incentivos. Eu não vejo significado para esse debate. O grande desafio é: Como fazer do Futebol Feminino um novo produto. Porque o futebol é um produto. É como se você tivesse nas mãos a Coca-Cola. Alto rendimento de receita, identidade consolidada. Aí, você tem uma evolução no ramo específico de refrigerantes light e lança a Coca-Cola Zero. Um ponto de interrogação surge, mas você não pode se esquecer de que lá traz a marca já era consolidada.

Com o Futebol Feminino é parecido. O futebol é paixão no mundo todo, e no feminino não pode ser diferente. Então o que falta para os clubes aderirem esse projeto e começar a ter receitas com isso?

Meu amigo, você não sabe do que uma mulher é capaz.

Não vou aqui especificar medidas a serem feitas, mas é importante tratar o Futebol Feminino como o Masculino em suas devidas proporções. Trabalhar a categoria de base feminina é o começo disso. Como tudo na vida começa por uma boa base, esse trabalho de revitalização é preciso ter planejamento e uma boa gestão para colocá-lo em prática. Não temos que comparar as duas modalidades, temos que adequá-las.

Em nível de base ainda falta muita coisa. Em São Paulo, o Centro Olímpico da prefeitura realiza peneiras todos os meses. O objetivo é formar atletas dos nove aos 17 anos. Claro que não é tão concorrido quanto no masculino, mas se o incentivo for dado aos demais clubes, a abrangência será maior e mais garotas terão a oportunidade no futebol pelo país inteiro.

Quando se trata de patrocínios, é preciso expandir a mente dos diretores, e principalmente, das empresas. Para um profissional de marketing, só simplesmente uma marca estampada na camisa, uma placa publicitária no campo, por tão importante que seja, não surte efeito na captação de patrocínios. É preciso explorar o universo feminino e buscar alternativas que sejam eficazes para determinadas marcas e aplicá-las na proposta.

Um case que mostra a importância disso é da jogadora Marta, que no jogo entre Brasil e Itália, usou um batom da Avon que durou em todos os 90 minutos da partida. Foram mídias espontâneas de todas as formas dando muito impacto à durabilidade e cor do batom utilizado pela jogadora. E o melhor, com o custo de apenas R$ 35 reais.

Com a transmissão do Campeonato Brasileiro de Futebol Feminino pela TV Bandeirantes e pelo Twitter, os clubes têm uma nova oportunidade de explorar os patrocínios em placas publicitárias, camisas e ativações para atrair o torcedor gerando uma renda maior também nas bilheterias. A plataforma MyCujoo também transmitirá todos os demais jogos que não serão exibidos na TV Aberta. Aliás, essa plataforma vem crescendo na área de streaming no futebol, valorizando ligas secundárias, futebol feminino, futebol juvenil, futsal e futebol amador.

Vemos um crescimento constante na mídia dando espaço ao Futebol Feminino. Não no patamar que merecem, mas já é significativo. Sinto falta de mais empenho nos clubes para iniciar um projeto bem estruturado que possa ser produtivo, tanto em campo, quanto fora dele. É preciso que os gestores dos clubes busquem conhecer o universo feminino para poder aplicar à categoria e poder gerar um projeto rentável. E olha que esse universo é imenso!

Não é difícil. Só precisam sair da zona de conforto e trabalhar com um “novo produto”.

Decidi escrever sobre esse assunto, devido à proximidade do Dia Internacional da Mulher, comemorado no dia 8 de Março. E já parabenizo todas as mulheres que buscam o seu espaço no futebol, porque fora dele, já ganharam o mundo.

Foto: (Sean M. Haffey/Reuters)

Formado em Publicidade e Propaganda, e pós-graduado em Marketing Esportivo. Atuo no mercado esportivo na agência XMedia Brasil. Escrevo para o Brand Bola sobre o tema “Marketing Custo x Benefício”. Instagram: @dylanmkt

Um comentário

  • Mário Cezar Ribeiro Soares

    Bom dia Rafael,
    Texto formidável e inegável para que conhece realmente a modalidade que o futebol feminino sempre foi uma realidade com o principal material o HUMANO em latência por este grande Brasil. Tive a chance de iniciar a idéia na escola de futsal do Botafogo FR em 2007 o que não prosperou por falta de interesse dos dirigentes…aí fui conhecer a escola de futebol no Harmamby Suécia… só me encorajou e fortaleceu…quando tive a chance de trabalhar na base da CBF Sub 20 e Sub 17 como Supervisor…Que aprendizado…vi na realidade o potencial da maiorias destas que hoje brilham…Thais Guedes…Andressa Machy…Luana…Letícia….Que brilhem muito porém agora com real interesse e investimento correto na modalidade por parte dos Clubes através de seus dirigentes!!! Conte Comigo. Atuy ingressando na advocacia e com um dos propósitos defender este direito fundamental de igualdade de gênero na prática desportiva como no futebol feminino brasileiro. Um prazer ler seu escrito. Abcs

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