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DESIGN ESPORTIVO: PATROCINADOR E CORES NO UNIFORME | por Victor Vieira

Foto: Daniel Vorley/AGIF

O design no esporte vem crescendo cada vez mais com o avanço da tecnologia e principalmente das mídias sociais. É possível perceber dando uma “zapeada” nos perfis dos principais clubes de futebol, do Brasil e do mundo, que cada um deles possui uma identidade visual própria e bem característica para se comunicar com seu público.

Em sua grande maioria os clubes utilizam suas tradicionais cores, exaltam suas glórias e conquistas, e demonstram de forma clara o seu respeito ao meio futebolístico. Todo esse cenário de valorização da comunicação visual dos times ecoa também na relação entre clube e patrocinador, e é sobre esse recorte ( que tem me chamado muita atenção) que eu quero colocar no campo de debate.

Fora do Brasil já é possível perceber que a aplicação da logo dos patrocinadores, em sua grande maioria, respeita a história e as cores tradicionais dos uniformes das equipes das quais são parceiras. Esse ajuste tem como principal objetivo não descaracterizar a camisa do clube, que carrega não só a visibilidade para o patrocinador, mas principalmente a identificação do torcedor (que é também consumidor) com a história do clube e com o que ele representa. 

Os torcedores brasileiros, com o passar dos anos, se tornaram bem mais exigentes com relação às camisas do seu time do coração. Para além de mostrar a sua torcida em dias de jogos, ele quer também se sentir pertencente ao time, mostrar sua paixão e orgulho vestindo a camisa do seu clube em momentos e lugares que estão fora do contexto futebolístico.

Dentro desse cenário, estampar uma logo que seja mais chamativa do que os próprios símbolos que a camisa carrega ( escudo e cores) acaba promovendo uma quebra de identificação entre o torcedor e o time, uma vez que esse símbolos são carregados de atributos emocionais responsáveis pela conexão e senso de pertencimento do torcedor com o clube.

Um exemplo bem recente disso é do famoso banco que (até então) estampava sua logo na cor laranja nas camisas de grandes clubes do futebol brasileiro e acabava “descaracterizando” as cores tradicionais das camisas. Após grande apelo e campanhas nas redes sociais a cor da logo foi alterada (de acordo com a cor da camisa de cada clube) o que permitiu que a marca, enquanto patrocinadora, continuasse tendo lugar de destaque na camisa, mas levando em consideração também as cores dos times. Essa pequena alteração gerou, visualmente, maior conexão entre patrocinador e clube, onde um não sobressai ao outro, e por isso acaba transmitindo uma mensagem de mais respeito e união. E é claro a aceitação pública foi imediata.

O design esportivo é uma área bem ampla que envolve muito mais que comunicação visual. Exige também uma análise dos valores do clube, da construção da sua história, das cores que o representam e dos anseios do público que é torcedor, mas que também é consumidor. É preciso ter um olhar mais integrativo que permita que a linguagem visual, apoiada em uma análise estratégica, seja capaz de construir maior conexão entre todas as partes integrantes (clube, torcedor e patrocinador) e gerar maior valor para cada uma delas.

Mineiro de Belo Horizonte, graduado em Publicidade e Propaganda com Pós-Graduação em andamento de Gestão Esportiva pela PUC Minas. Colunista do Brand Bola sobre design esportivo. @vctrmvieira

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