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Conhecereis a sua persona e serás salvo | por Moisés de Oliveira

Nos últimos dias o Atlético-MG foi envolvido em uma verdadeira ebulição vinda de sua própria torcida. E claro, alimentada por ele.

O motivo é bastante óbvio: o anúncio feito em primeira mão pelo jornalista Cadu Doné, da Rádio Itatiaia, caiu como uma bomba entre os torcedores do clube. Estes que, instantaneamente, foram às redes sociais se manifestar contra a suposta contratação do meia Thiago Neves.

Situação que pegou de surpresa toda a imprensa e, principalmente, os torcedores.

Thiago Neves é um grande desafeto recente da Massa do Galo. Fez brincadeiras de cunho desrespeitoso contra a instituição por inúmeras vezes, e não se furtou em ultrapassar os limites da rivalidade.

O acontecimento nos permite explorar duas temáticas sob a ótica do marketing.

1) O contato com o jogador foi sob a batuta do presidente do Clube, Sérgio Sette Câmara.

O que expõe por parte da cúpula atleticana um imenso desconhecimento sobre seu público-alvo, sobre seu comportamento, sobre suas vontades e gostos. Um pecado capital para quem gerencia qualquer tipo de negócio – principalmente em tempos de mídias digitais, onde estas informações estão ostensivas.

Peço desculpas a quem lê estas linhas, pelo indecoro. Público-alvo é uma concepção ultrapassada. Têm-se usado “persona” em detrimento ao antigo termo. Os conceitos de persona são mais íntimos e minuciosos, no que tange a conhecer quem compra seu produto ou consome.

E qual a persona de um clube de futebol? Resposta óbvia: o torcedor. É ele quem compra ingresso, quem consome material oficial e licenciado; quem se associa. É o torcedor quem faz a máquina girar.

Me perdoem os dirigentes atleticanos: mas tornar público o interesse em contratar um jogador cujo sua persona abomina, é contribuir para a ruina do seu negócio –, para não fazermos o uso de termos pejorativos.

2) A rejeição a Thiago Neves foi monstruosa… Pode-se dizer sem receio que foi algo inédito referente a uma contratação de um time de futebol. Claro, muito em função do poder de mobilização das redes sociais em tempos contemporâneos.

A lição traçada sob a ótica do jogador exprime a importância em ser um profissional com histórico limpo. Não que Neves não tenha sido. Afinal, façamos justiça: O jogador, em outrora, demostrou ter imensa qualidade com a bola nos pés, e pouco se falou ao longo de sua carreira sobre atos de indisciplina.

Entretanto, se perdeu em sua passagem pelo Cruzeiro. Revezando entre atuações insuficientes em campo e fazer média junto à torcida do time Celeste, zombando da instituição adversária.

Tudo isso implica também em marketing pessoal e gestão de carreira. No futebol, mais do que em qualquer setor da vida, não se pode se valer da máxima “Dessa água não beberei”. Pois cedo ou tarde, acaba-se não só bebendo da água, como também mergulhando.

No futebol o buraco é mais embaixo, certos atos jamais serão esquecidos – para o mal e para o bem. Porque ele carrega consigo um ingrediente bastante intrínseco: a paixão.

Foto: Fox Sports.

Jornalista, graduado pela UniBH, Especializado em marketing digital. Um apaixonado pelo futebol e pelos esportes de aventura. Atualmente atua como repórter e colunista do portal de marketing esportivo Brand Bola.

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