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A crise de um gigante | Por André Romero

A paralisação no futebol impactou de forma negativa todos os clubes. A brusca queda nas receitas quebrou todos os planos de orçamento para o ano de 2020, fazendo com que o corte de gastos se torne uma realidade.

Porém, o que fazer quando o clube vive uma de suas piores crises da história e uma outra crise é instaurada? Isso é o que está acontecendo com o Cruzeiro. O coronavírus teve um impacto especialmente negativo para ele. A dívida do clube é gigante, acumulando o total de R$ 803 milhões, fazendo com que a calamidade financeira seja uma realidade.

O déficit na conta do clube somente em 2019 acumulou o impressionante número de R$ 394 milhões, e o inédito rebaixamento para a Série B do Campeonato Brasileiro só fez com que a situação se agravasse ainda mais.

O estouro da crise não foi devido aos resultados ruins apresentados no início do Brasileirão ano passado, na verdade, esses resultados foram uma consequência. O maior problema encontrado no clube era na parte interna, que consequentemente gerou os devidos reflexos em diversas áreas do clube, como no futebol.

A Polícia Civil de Minas Gerais instaurou inquérito para apurar denúncias sobre falsificação de documento particular, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro por parte de integrantes da diretoria celeste. Além disso, pagamentos do clube a torcidas organizadas, contratos com intermediários foram expostos.

Além disso, houve a denúncia sobre os altos salários pagos a Itair Machado e Sérgio Nonato, então vice-presidente e diretor-geral, respectivamente. A pressão sobre o presidente Wagner Pires de Sá aumentou, já que ele foi o responsável por colocar a dupla na diretoria cruzeirense.

A crise financeira foi se tornando uma grande bola de neve. Apesar de ter um dos elencos mais fortes do ano, composto por jogadores como Thiago Neves, Fred Guedes, Edílson, Egídio e Pedro Rocha, a falta de salários devido aos atrasos dos pagamentos desmotiva o jogador e gera reflexos negativos dentro de campo. Um exemplo disso é o atacante Fred que em Julho de 2019 acumulava atrasos no acerto dos direitos de imagem desde a assinatura do contrato, em janeiro de 2018. Os atrasos não se limitaram somente aos jogadores, e diversos funcionários também passaram pelo mesmo problema.

Como é comum no futebol brasileiro, a fase ruim começou a gerar uma rotatividade no cargo de treinador. O primeiro a sair foi o Mano Menezes, que possuía uma bela história com o clube, tendo conquistado duas Copas do Brasil (2017 e 2018) e dois Mineiros (2018 e 2019). O segundo foi Rogério Ceni, que apresentava um estilo de jogo mais agressivo em relação a seu precursor. Apesar do bom início, discussões com o elenco fragilizaram a sua relação com o clube, e, após oito jogos, a sua saída foi divulgada.

A crise interna se agravava cada vez mais, e aliados do então presidente do clube Wagner Pires de Sá começaram a cair. Uma semana após a demissão de Rogério Ceni, Sergio Nonato pediu demissão da diretoria geral. No dia 10 de outubro, seis dias após a saída de Sergio, Itair Machado, o então vice-presidente de futebol e braço direito de Wagner, foi demitido.

No lugar de Itair, Zezé Perrella foi o nome escolhido para suprir o cargo que foi deixado. O ex presidente do Conselho Deliberativo do clube entrou com um discurso de “salvador da pátria”, mas não foi feliz em sua gestão.

A crise se perpetua até hoje, trazendo infelizes reflexos para o clube que se encontra na Série B. A Raposa deve dois meses para os jogadores e comissão técnica e um mês para os funcionários. Além disso, o clube já perdeu seis pontos no campeonato devido a uma punição gerada pela Fifa devido ao atraso do pagamento da dívida de 850 mil euros (cerca de R$ 5,3 milhões) que tem com o Al Wahda, dos Emirados Árabes, pela contratação do volante Denilson. Se o clube não pagar o valor de 1,46 milhão de euros (cerca de R$ 9 milhões) até a próxima sexta-feira, 29 de maio, uma nova punição será acatada, e o clube perderá mais 6 pontos no campeonato.

A falta de uma gestão profissional, especialmente no aspecto financeiro, conseguiu instaurar uma gigantesca crise em um dos mais tradicionais clubes do cenário brasileiro em 365 dias. Um problema no futebol brasileiro é que, historicamente, muitas diretorias parecem se preocupar mais com a perpetuação no poder do que com a saúde do clube, assim não estabelecendo planos a longo prazo, afinal uma dívida grande não se resolve de um dia para o outro.

O Cruzeiro foi mais uma vítima de uma precária gestão, e quem mais perde com isso tudo é o torcedor.

Cursando Publicidade e Propaganda na PUC-RIO. Apaixonado por futebol desde cedo, escrevo para o Brand Bola sobre sócio-torcedor e relação torcida-clube. Instagram: @andreromero98

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