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A relação da torcida com a seleção se encontra desgastada? | Por André Romero

O brasileiro, de forma geral, é um ser apaixonado por futebol. Definitivamente este é o esporte predominante na região, e isto é facilmente perceptível. Com diversos locais espalhados pelo país para a sua prática, sejam campos de futsal, society ou de grama, não é nada incomum se deparar com sua prática no dia a dia, que acontece até em calçadas e praias.

Obviamente há uma parcela da população que não se encanta pelo esporte, mas aqui dificilmente encontramos pessoas que não tenham um time do coração. A intensidade dessa paixão varia de cada um, mas esse afeto já virou algo cultural.

Muitas vezes passada de geração em geração, tal paixão tem diversos motivos para ter chegado ao ponto de ter se transformado em algo cultural aqui, afinal o Brasil é o país do futebol, mas uma das principais razões com certeza é a história de sucesso da seleção brasileira.

A maior campeã da copa dos mundos, e única seleção que se classificou para todas as suas edições, a equipe que representa nosso país tem uma história única composta por diversos episódios marcantes na história do futebol. A era de ouro entre 1958-1970, marcada por craques como Pelé, Vavá e Garrincha, nos garantiu 3 das 4 Copas do Mundo disputadas entre esses anos, e estabeleceu uma hegemonia no torneio que predomina até hoje.

Seleção brasileira campeã da Copa do Mundo de 1958

Mesmo antes disso, já era perceptível que o brasileiro tinha uma boa relação com a seleção. Na final da Copa de 1950, no episódio conhecido como Maracanaço, o público alcançou a marca de 200 mil no estádio para ver o Brasil enfrentar a equipe do Uruguai.

Após 1970, o Brasil ficou em um jejum de títulos. Foram 24 anos sem uma Copa do Mundo e 19 sem uma Copa América. Porém, seu futebol especialmente na época de 1982 encantou o mundo, onde uma das melhores seleções brasileiras da história foi criada. Sua eliminação na Copa do Mundo desse ano foi considerada uma tragédia, mas o estilo de jogo único e alegre fez com que a população se orgulhasse do nosso futebol, o que estreitou ainda mais os laços da torcida com a Canarinho.

O tetra e o penta consequentemente vieram, e toda essa bela história faz com que a relação da torcida brasileira com sua seleção se tornasse única. Porém mais uma vez estamos em um jejum de títulos de Copa do mundo, e a falta da apresentação de um futebol único e diferenciado, juntamente com fatores como a globalização, parece estar mudando tal relação.

Quando pequeno me lembro da imensa expectativa que acontecia quando o Brasil iria disputar algum jogo, independente do torneio (ou sendo até um amistoso). Entre 2002 e 2010 nomes como Ronaldinho, Kaká, Ronaldo, Robinho ficaram marcados na memória da minha infância, e quando o time entrava em campo parecia que algo mágico ia acontecer. Lances plásticos com um estilo de jogo agressivo fizeram com que na época eu não fosse somente um torcedor, e sim um apaixonado pela seleção brasileira.

Independente do adversário, a seleção parecia não ter medo de ousar. Os dribles apresentados pareciam uma espécie de dança que com um simples balançar de corpo fazia com que os marcadores saíssem da jogada.

O futebol está constantemente passando por diversas mudanças, e hoje em dia ele se encontra cada vez mais tático e pautado em estratégias e jogadas ensaiadas. Porém a fuga do padrão e a busca em inovar era o que fazia com que a seleção brasileira se diferenciasse das outras, causando medo e respeito aos seus adversários e encanto à sua torcida.


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A adequação do estilo de jogo brasileiro a esse padrão apresenta um sério risco para a relação da torcida com a seleção. Em um mundo globalizado, cada vez temos mais facilidade de acesso a campeonatos europeus e jogos das seleções de países estrangeiros. Se a nossa seleção não cumprir o papel de encantar um jovem torcedor por exemplo, outra pode fazer isso, e quando isso acontece, a identidade que o torcedor vai ter com a equipe que representa o nosso país pode virar algo superficial.

Óbvio que queremos que a seleção ganhe títulos e Copas do Mundo, porém, mais do que isso, queremos um estilo de jogo único. A nossa verdadeira vontade como torcedor é que nossa seleção mostre não somente para nós brasileiros, mas para o mundo todo o que é brasileiragem.

Cursando Publicidade e Propaganda na PUC-RIO. Apaixonado por futebol desde cedo, escrevo para o Brand Bola sobre sócio-torcedor e relação torcida-clube. Instagram: @andreromero98

Um comentário

  • Caio

    Diversas pesquisas sobre qual o time do coração, não tenho time vem em primeiro. Depois o Flamengo. Brasileiro não é apaixonado pelo esporte bretão, como ingleses e argentinos. E a apropriação da camisa da seleção pelos minions e os escândalos na CBF afugentaram os torcedores. Volta camisa branca, quem sabe os torcedores voltam.

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