O ano é 2025 | Por Felipe Blanco

E se a vida “em quarentena” for a nova tendência mundial? E se acabarem os espetáculos com grande público? Já pensou nisso?

O ano é 2025. O mundo está diferente, a pandemia de Covid-19 foi o pontapé inicial para uma mudança jamais experimentada pela humanidade. O novo coronavírus foi combatido, contudo, as medidas de proteção não são mais momentâneas. Agora os humanos não se reúnem em grande número, seja em igrejas, estádios ou shows. O surgimento de novos vírus é um medo constante.

A forma de consumir futebol agora é à distância. O estilo de vida mudou. As redes sociais nunca foram tão importantes e influentes na vida real. Os e-sports cresceram e são o maior espetáculo da atualidade, atraindo absurdas quantidades de gamers e espectadores em diversas competições online ao longo do ano. O mercado distribui premiações milionárias e remunera muito bem seus atletas. É a nova a profissão dos sonhos, com atletas gozando do prestígio de craques como Cristiano Ronaldo e Neymar.

Imagem: Divulgação www.ea.com.br

Imagem: Divulgação Flamengo

Nas ruas, máscaras são o adereço padrão, mesmo que para uma simples ida até a padaria. Os celulares agora são desinfetados na mesma escala das mãos. Os “smartwatches” são utilizados em massa, para primordialmente medir febre e alterações na frequência cardíaca, sinais de algum tipo de vírus.

Todas as partidas agora são com portões fechados para o público. Nos estádios, ao invés de cadeiras, mais espaço para exposição de marcas patrocinadoras. Mini arenas de e-sports substituem os camarotes. Com a substituição das receitas de bilheteria, os espaços de arquibancada tornaram-se um grande outdoor interativo para investidores. O canto das torcidas se mantém vivo, mas apenas nos alto falantes das arenas. A torcida que grita mais alto é aquela cujo sistema quantifica como dona do maior número de comentários e hashtags do time nas redes sociais.

Imagem editada. Original: (REUTERS/Massimo Pinca)

O jogo tem três donos, uma emissora e os dois clubes participantes. A TV exibe no seu canal ou via internet, os clubes vendem as partidas via streaming em seus próprios canais, uma espécie de Netlfix de cada clube. O torcedor pode assinar a TV, pagar pela conta premium do clube ou comprar o campeonato, onde há a opção de escolher jogos aleatórios. Nesse último caso todos os clubes racham o valor igualmente.

Imagem: Divulgação Juventus-ITA

Imagem: Divulgação Juventus-ITA

O sócio torcedor é principalmente um assinante que tem acesso a conteúdo exclusivo, como programas, jogos antigos, entrevistas e as partidas ao vivo da sua equipe via streaming. Além disso, ele continua pagando mais barato em produtos e redes de vantagem. Uma ativação comum oferecida aos sócios nestes tempos é a experiência de acompanharem as partidas na visão do atleta, que, escolhido via hashtags, entra em campo com uma câmera acoplada na cabeça, e sua imagem é transmitida ao vivo durante os 90 minutos de partida.

Imagens: Vìdeo Nike “Take it to the next level” 

A rede social dos atletas se profissionalizou ao ponto de cada um ter de criar uma identidade visual própria, como uma empresa. Realizando campanhas, hashtag única, comemoração exclusiva, uma saudação, um estilo, um bordão e um corte de cabelo exótico, para se diferenciar e atrair seguidores. Por exemplo:

@RonaldoFenomeno

Cabelo: Cascão

Comemoração: uma mão com dedo indicador para o alto

Bordão: Só existe um Ronaldo

#RonaldoFenomeno

Imagem editada.

Imagem editada. Original – Eurogamer.pt

O jogador com mais seguidores vale muito no mercado. Agora o direito de imagem está mais burocrático e custa muito mais caro aos cofres dos clubes. Os jogadores têm obrigações fora do campo, e não apenas com o corpo e cuidado nas fotos comprometedoras. Os contratos preveem quantidade de postagens com a marca do clube e outros patrocinadores da equipe. Os jogadores fazem lives após as partidas dando suas versões do jogo. Estas ocorrem sendo monetizadas através de backdrops específicos com suas marcas e as do clube, além de produtos patrocinados de cada atleta.

Imagem editada. Original – Goal.com.br

Os uniformes expõem ao menos 10 marcas cada um – embora a tendência seja diminuir a quantidade para melhorar a exposição, a necessidade fez valer o oposto. O patrocínio pontual para cada tempo de jogo se tornou comum. Em nova regra instituída pela FIFA, o jogo passa a contar com 3 pausas. Aos 25 do primeiro tempo, ao final do primeiro tempo e aos 25 do segundo tempo. Durante as pausas, são realizadas ações com sócios, ativações de marcas e até shows in loco ou à distância. Praticamente um SuperBowl sem aglomeração.

Imagem: Divulgação Jorge e Mateus

Alguns clubes não aguentaram ou não se dobraram diante das transformações e sucumbiram. Fecharam as portas clamando pela morte do futebol moderno. Já outros cresceram e se fortaleceram com criatividade e pioneirismo: lives, conteúdo exclusivo, redes sociais com alta produção criativa, valorização dos seus atletas e história, aproximação com os torcedores, controle de informações sobre seus fãs, bom atendimento ao público, identidade forte e trabalho profissional.

O que acontecerá com o mundo e o futebol daqui a 2, 5, 10, 20 ou 30 anos, não sei lhe dizer, mas sabemos que quem só olha para o passado não vive o presente. Essa pandemia mudará o mundo do futebol. Pode ser que nada do que eu disse acima se concretize, mas muitas mudanças já estão em curso, temos que nos adaptar. O que podemos fazer agora?

Formado em Administração pública pela Unesp e pós graduado em Gestão e marketing esportivo pela Trevisan. Sou gerente de marketing e comunicação na Ferroviária Futebol S/A. Escrevo para o Brand Bola sobre marketing social, de relacionamento e conteúdo.
Instagram: @felipeablanco

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