Branca e Salgada | por Moisés de Oliveira

A Copa América começou, está aí. E qual grau está marcando seu “empolgômetro” com a Seleção Brasileira nesta competição? Se está desanimado, eu o compreendo – falando francamente: A Copa América na verdade não passa de mais um artifício para a Conmebol arrecadar cifras. Claro, o retorno financeiro é comum para qualquer organizador que se inclina a fazer um evento –, seja ele de ordem futebolística ou não, mas já conhecemos como funciona o sistema da mandatária máxima do futebol sul-americano.

Mas escapulindo destes fatores organizacionais, (que daria ao menos mais um texto para que pudéssemos discutir sobre) o motivo que me traz mais uma vez aqui, para tecer estas linhas, é a nova camisa da Seleção Brasileira.

Quem assistiu ao jogo de estréia do Brasil na Copa América, na sexta-feira (14), percebeu uma mudança brusca na identidade do uniforme da Seleção Brasileira. Ao invés de jogar com sua camisa tradicional amarela, o time do técnico Tite entrou em campo vestindo uma camiseta branca.

A peça foi lançada em abril, visando exatamente a disputa sul-americana. E revive a primeira metade do século XX, em que o uniforme principal do time brasileiro era branco. Período em que o time tupiniquim anotou três conquistas da competição: 1919, 1922 e 1949.

Particularmente, eu achei a camiseta muito bonita. A Nike juntamente com o departamento de marketing da CBF acertaram. Sempre quando se fala em marketing, se pensa em inovação, em contextos que vão além dos comerciais apenas, e pra isso é preciso doses de criatividade.

E no futebol quase sempre se apegar na historicidade dos fatos é a saída. Nossa trajetória como nação é rica, uma infinidade de conceitos históricos podem ser empegados no construção de uma camisa ou qualquer outro artigo alusivo.

Até aqui tudo bem, tudo lindo. Mas é só falarmos de preço, que o cenário toma outras formas. Essa camisa é vendida nas lojas, por nada mais – nada menos do que a “bagatela” de R$ 450,00 na versão jogador e, é encontrada na versão torcedor a R$ 250,00.

Aliás, é um assalto, um crime ao consumidor, se comercializar artigos esportivos nesses valores. Digo isso em esfera global. Produz-se tanto dinheiro no futebol, que as marcas, os clubes e as federações parecem ter perdido um pouco a noção do limite, entre um preço justo; e a extorsão.

No Brasil, em média, a camisa de um time que disputa a série A do Campeonato Brasileiro vária em torno de 220,00. O que já é algo, para os níveis econômicos do Brasil, relativamente pesado. Principalmente no atual cenário de recessão.

Externo tal indignação, porque sou um voraz colecionador de camisas de time, pratico este hobbie desde garoto – quando tinha 11 anos de idade. A primeira camisa que adquiri foi a do Flamengo, em 2001. Era um uniforme que o time da Gávea havia utilizado na temporada de 1999. E acreditem! Paguei inacreditáveis R$ 25,00 reais por um produto legítimo da Umbro, fornecedora do clube na época.

Em tese, a camisa foi comprada dois anos após o seu uso pelo time em campo. Óbvio, devemos levar em conta as variações inflacionarias com o passar dos anos, as evoluções tecnológicas dos tecidos. Mas conscientemente, sabemos que não chegaríamos a tais proporções, considerando apenas esses fatores.

O que aconteceu com o correr dos anos, foi que as grandes marcas esportivas observaram uma oportunidade de mercado. Se venderam como grifes, assim como Calvin Klein, Armani ou Gucci, e o público assim aceitaram-nas. Não houve um boicote por parte dos consumidores-torcedores – mesmo que inconscientemente. O cidadão continua comprando a camisa do seu time, mesmo que divida em vários pagamentos, mas ele paga o valor pedido.

É uma lógica simples de comportamento de consumidor, e o futebol é um mercado peculiar. Mais do que qualquer outro – explora-se o amor, a devoção e o fanatismo. Portanto, xeque-mate! Está aí a sacada das marcas esportivas para continuarem praticando preços abusivos com relação aos uniformes dos clubes, no meu entendimento.

Neste momento em que escrevo essas humildes linhas; simultaneamente assisto à partida entre Paraguai X Catar, no Maracanã, válida pela Copa América. Este parágrafo inclusive, sendo escrito no momento em que o narrador anunciava os valores dos ingressos: R$ 120,00 o valor mínimo. “Vem, vamos embora. O futebol não é mais do povo!”

Foto: Dilvugação/Nike

Jornalista, graduado pela UniBH, Especializado em marketing digital. Um apaixonado pelo futebol e pelos esportes de aventura. Atualmente atua como repórter e colunista do portal de marketing esportivo Brand Bola.

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