Libertadores ou Conquistadores? Haverá final para a final das finais? | Por Felipe Blanco

“Libertadores” é um nome comum para todos os fãs de futebol, mas você sabe o porquê do maior torneio de clubes da América do Sul ter esse nome? “Libertadores” é o termo usado para fazer referência aos líderes dos movimentos de libertação da América Hispânica e do Brasil, tendo como seus grandes expoentes os libertadores Símon Bolivar e José de San Martin, que uniram-se contra o império colonial espanhol com o objetivo de constituir uma única nação na América do Sul e atuaram fortemente na independência de diversos países, como Argentina, Peru, Venezuela e Chile.

Esta brevíssima introdução faz-se necessária para entendermos a gravidade do que está ocorrendo este ano, com a série de acontecimentos lamentáveis que roubaram a cena na final entre os argentinos River Plate e Boca Juniors.

Quando os dois clubes bateram os brasileiros Palmeiras e Grêmio, nas semifinais, o mundo do futebol classificou o superclássico, o confronto inédito na decisão, como a maior final de todos os tempos. Entretanto, poucos poderiam imaginar os seus desdobramentos trágicos. Poucos poderiam? Será mesmo? É preciso mergulhar no futebol argentino para, posteriormente, discorrer sobre os fatos que mancharam a grande decisão – adiamentos, saraivada de pedras, gás de pimenta e a decisão acerca da mudança de praça esportiva que faria todos os libertadores se revirarem em seus túmulos.

Para entenderem a quantas anda o futebol argentino, peço que leiam o que o jornalista argentino, Ernesto Tenembaum, escreveu para o “El País”, clicando na imagem abaixo:

Em suma, Ernesto explica como o futebol argentino está tomado pelo narcotráfico em seus mais diversos níveis, com altos cargos políticos envolvidos, líderes de torcidas organizadas comandando a venda de ingressos e drogas, dentro e fora dos estádios. Além do mais, avalia as recentes barbáries no futebol do país, que culminaram na catastrófica final adiada na argentina: “É sobre esse barril de pólvora que se jogava o Superclássico. O surpreendente não é que terminasse mal desta vez. O surpreendente é que alguma vez as coisas terminem bem”, lamenta Ernesto.

Diante deste triste cenário, o palco da final foi transferido, com uma razão que se estende até a segunda página, pois o local escolhido é nada mais nada menos do que o estádio Santiago Bernabéu, em Madrid, na Espanha. Isso mesmo, no estádio que leva o nome do ex-jogador, empresário e ex-soldado franquista, que lutou em nome do grande ditador espanhol, Francisco Franco, na campanha da Catalunha, e mais adiante, presidente do Real Madrid.

Mas onde está o marketing esportivo e a criação de conteúdo das suas colunas? É um post político? Jornalístico? Não, mas essa introdução precisou ser feita para entendermos todas as mazelas que estão ocorrendo e o que os clubes estão publicando sobre a maior final de todos os tempos, se é que ainda podemos chamá-la assim.

A pesquisa nas redes oficiais (Facebook e Instagram) do Boca e do River revelou-se uma surpresa. As últimas publicações sobre a final são do dia inicialmente estipulado para a partida, com posts sobre o uniformes das equipes no vestiário, “hoje é dia de final”, entre outras coisas. Após a resolução da Conmebol, os dois clubes permaneceram sem informar nada às suas torcidas nas redes sociais. Esse silêncio soa como receio e incerteza, como se nenhum dos lados quisesse se manifestar sobre o ocorrido ou sobre como será a final. Pode ser falta de informação concreta, vergonha do que aconteceu, silêncio para amenizar a crise, aconselhamento jurídico… não é possível afirmar.  É sabido que o River briga na justiça para que não ocorra a mudança para o Bernabéu, enquanto o Boca afirma que deveria ser o campeão, rememorando o que sofrera com ato semelhante de sua torcida em 2015.

Versão traduzida pelo portal GE:

Episódio que baseou a reclamação do Boca Juniors:

De qualquer modo, os ingressos já estão sendo vendidos, e os sócios do Real Madrid foram os primeiros a comprar. Eles esgotaram as 7 mil entradas disponíveis a eles em pouco tempo, segundo informou o globoesporte.com.

River e Boca terão apenas 5 mil ingressos cada para os seus torcedores residentes na Argentina.  Para os demais torcedores dos dois clubes que não residem lá, a carga será de 20 mil para cada equipe. Os demais ingressos, 22 mil, serão para patrocinadores, VIP’s e público em geral.

Como trabalhar suas mídias sociais diante da maior crise da história das finais da Libertadores?

É triste, preocupante, lamentável… A maior final servirá apenas como um case de gestão de crise e como tentar limpar o nome do torneio. E a Conmebol? E os patrocinadores do torneio? Patrocinadores do clube? O que você faria se a sua marca estivesse envolvida nessa confusão? Os donos dos direitos de exploração dos bares do estádio? Comerciantes locais? Se você já tivesse investido milhões em publicidade, ativações, programação de comerciais para o momento do jogo, entre outros? A única certeza é a incerteza.  Que ao menos, o jogo do próximo domingo (9), corra bem, quando e onde ele ocorra. A Libertadores e os Libertadores não mereciam esse desfecho.

Gestor de marketing e comunicação no clube Ferroviária S/A de São Paulo.
Administrador público graduado pela UNESP. Especializado em gestão e marketing esportivo, colunista do portal Brand Bola e fã incondicional de esportes, criação e natureza.

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