O OTT (Over-The-Top) e a sua utilização no segmento esportivo | por Fabio Freitas

As ações de captação e retenção do público em geral estão cada vez mais difíceis. O marketing de antigamente, baseado somente nas mídias tradicionais, já não garante o mesmo retorno sobre o investimento. Por outro lado, os consumidores nunca tiveram tamanha abertura para se relacionar com as marcas e, também, nunca estiveram tão informados e conectados.

A grande competitividade entre as opções de esporte e lazer aliada às limitações de tempo que enfrentam a maioria das pessoas, os custos crescentes de tornar-se um fã, a proliferação de canais de mídia e o surgimento de novas tecnologias, apresentam novos desafios e oportunidades para os gestores de clubes de futebol.

Nos últimos anos, o impacto da internet e do esporte na economia têm sido amplamente debatidos nos meios de comunicação. Enquanto o esporte é orientado para a ação ao ar livre e ao emocional, a internet é uma atividade de computação intelectual e racional.

À primeira vista, os temas parecem incompatíveis, mas estão fortemente relacionados, pois, possuem em seus núcleos, a necessidade de informação e comunicação. A internet se tornou uma ferramenta fascinante e potencializa a geração de receitas de maneira imediata e interativa através de notícias, redes sociais, lojas de e-commerce e atualmente até na transmissão de partidas de futebol com a chegada de um novo conceito chamado de OTT (Over-The-Top), que se refere a entrega de conteúdo em audiovisual distribuído através da web sem o envolvimento de grandes difusores, como por exemplo, as empresas de TV por assinatura.

A experiência de exibição através da televisão, que em seu início consistia em se reunir na sala de estar da família para assistir a um evento ao vivo, perdeu a sua essência e mudou de forma significativa ao longo dos últimos anos. Atualmente, a questão televisiva está cada vez mais versátil.

Independentemente do formato que o conteúdo será assistido (TV, redes sociais, YouTube, dispositivo móveis, etc.), a maneira de acessá-lo e disponibilizá-lo encontra-se em constante evolução. Os modelos de negócios e comportamentos de consumo evoluíram e passaram a exigir c adaptações na tecnologia para a entrega em novo formato.

No Brasil, 76% dos internautas não pagam por conteúdo exclusivo na internet, dando preferência para conteúdo gratuito, revela o estudo “Consumidores e Convergência 5: O estilo de vida convergente”, realizado pela KPMG e publicado em janeiro de 2012. Mesmo com a preferência dos brasileiros por conteúdo gratuito, 24% afirmaram que pagariam para ter acesso a conteúdos exclusivos.

O Netflix e Spotify são exemplos de serviços de assinatura de streaming[1], que se tornaram necessidades básicas e entraram na lista das despesas mensais de muitas famílias.

Tem sido frequente a parceria comercial entre empresas de streaming e clubes de futebol, pois, além de divulgar músicas e artistas ligados ao clube, o torcedor tem a curiosidade de saber quais as músicas preferidas pelos seus ídolos[2]. O Netflix, principal serviço mundial de entretenimento, anunciou que a Juventus FC será tema de um documentário, no início de 2018. A ideia é apresentar as histórias do clube, em um formato de 4 episódios, com 60 minutos duração.

Através de um conteúdo relevante, que trata das dúvidas comuns do dia a dia do torcedor e apresente curiosidades que ele não pode encontrar em nenhum outro veículo de comunicação, é possível engajar uma base consumidora, sendo uma excelente oportunidade de aproximação com seu consumidor em potencial.

A apresentação de conteúdo de qualidade pode, ainda, contribuir para a obtenção de dados pessoais relevantes para seu time de vendas, gerando leads[3]a um passo de concretizarem a negociação.

No Brasil, o Atlético Paranaense e o Coritiba romperam com a TV Globo e, de forma independente, transmitiram as partidas finais do Paranaense 2017 em suas redes sociais – YouTube e Facebook. Neste primeiro momento, ainda com o acesso gratuito, a transmissão foi iniciada há poucos minutos do início da partida.

Os canais oficiais de Atlético-PR e Coritiba no YouTube ganharam entre 15 mil e 20 mil novos inscritos. As conexões com a plataforma, ultrapassaram a barreira de 450 mil e 220 mil visualizações, respectivamente. Já nas fanpages, o Rubro-Negro superou a marca de 2 milhões, enquanto o Coxa obteve uma marca acima de 800 mil exibições.

Apenas como comparação, uma das maiores exibições pela internet no Brasil ocorreu em 2013, na final da Liga Europa, entre Benfica-POR e Chelsea-ING, que registrou aproximandamente 11 milhões de visitas únicas, através do Terra TV. Para melhorar o entendimento, 1 ponto em São Paulo representa 69 mil domicílios sintonizados; enquanto no Rio de Janeiro equivale a 43 mil e Curitiba a 12 mil. Em 2016, o Flamengo, clube de maior torcida no país, teve média geral de 26,4 pontos, entre Carioca, Copa do Brasil, Sul-Americana e Série A do Brasileiro, com 31 jogos transmitidos.

A transmissão de eventos esportivos através das redes sociais já ocorre em outros países com sucesso, especialmente no basquete, podendo se tornar uma tendência mundial nos próximos anos.

Apesar de animadores, os números do “Atletiba” demonstram que a transmissão online precisa se consolidar, abrindo novas oportunidades para a geração de receitas.

As mídias sociais tornaram-se uma plataforma essencial para as marcas entregarem uma campanha bem-sucedida. É cada vez mais comum os consumidores assistirem as modalidades esportivas de modo diferente da TV que conhecemos atualmente. A grande maioria escolhe o celular como segunda tela.

Os clubes não devem depender apenas das suas próprias partidas para se promoverem. A influência das redes sociais crescerá ainda mais, portanto, é de suma importância que as entidades desportivas apresentem um projeto para envolver o seu público online.

[1] Streaming: é uma tecnologia que envia informações multimedia através da trasferência de dados, utilizando redes de computadores, especialmente a Internet.

[2] Site Exame Abril, disponível em <https://exame.abril.com.br/blog/esporte-executivo/deezer-quer-ser-musica-para-os-ouvidos-dos-torcedores-de-futebol/)> Acesso em 29/03/2017

[3] Leads: pessoas ou empresas que entraram em contato com a sua organização e apresentam potencial para se tornarem clientes.

 

Carioca, manezinho de coração, apaixonado por tecnologia e esportes. É graduado em Tecnologia da Informação, possui MBA em Gestão Empresarial pela FGV e formando da primeira turma do Programa FGV|FIFA|CIES. É co-autor do livro “Estratégia para Maximização de Receitas no Ambiente Digital em Clubes de Futebol”. Livro: https://bit.ly/2LPjV1F

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *