“Pequenos, mas on-line!” | por Moisés de Oliveira

Com calendários mais enxutos em relação às grandes equipes do futebol brasileiro, clubes do interior veem seu marketing também ser afetado pela pouco quantidade de jogos.

Na última década, com a consolidação da internet, e tornando-se a principal ferramenta de comunicação entre as pessoas, e muito disso em decorrência do uso das redes sociais – empresas, marcas, artistas e outras pessoas públicas atinaram para necessidade de estarem presente nesse cenário.

E nessa toada, seguem também os clubes de futebol. Com um público fiel, eles se utilizam das mídias digitais, não só como um canal de comunicação entre os clubes e seus torcedores, mas também como um trunfo no que corresponde ao marketing.

A pesquisa realizada pelo site de estatísticas esportivas Ibope Repucom em janeiro deste ano aponta que os 40 clubes monitorados pelo site, obtiveram um aumento de seguidores em suas redes sociais que atingiram a casa dos 15,8 milhões de seguidores ao longo do ano de 2017 – o que só reforça a importância dos canais digitais em tempos de internet 2.0.

Obviamente, clubes com grande exposição midiática obtêm uma atenção maior dos seguidores nas redes sociais, caso de Corinthians e Flamengo. Juntos, os dois se aproximam da casa de 41 milhões de fãs em suas plataformas digitais, tendo o Rubro-Negro Carioca na dianteira, com 20.805.839 – seguido de perto pelo Timão, com 20.444.719,  ainda segundo a pesquisa divulgada pelo Ibope Repucom, considerando Facebook, Twitter, Youtube e Instagram.

Mas existe outra realidade não tão divulgada e menos pomposa, em termos de popularidade e ao que tange a termos de retorno financeiro: a de clubes pequenos. Eles não contam com o mesmo aparato na mídia que os grandes clubes, e se apegam em estratégias de marketing criativas para divulgação da marca e comercialização de seus produtos, juntos aos seus torcedores e simpatizantes.

0“Time voando ajuda bastante o departamento de marketing. Tivemos anos distintos no Guarani: o ano de 2017 não foi uma temporada tão boa, fizemos péssimos jogos, e era complicado para conseguir ter ações que obtivessem sucesso. Já no ano de 2018 o time fez um excelente campeonato e o departamento de marketing conseguiu aproximar mais o torcedor do time – e nos últimos jogos, semifinais e final, a carga total de ingressos foi vendida e com uma festa linda. Houve até uma invasão “organizada” dos torcedores, que invadiram o campo e foram comemorar, tirar fotos, abraçar, agradecer. Jogos com uma participação linda da torcida”. Enfatiza Wantuir de Castro, um dos responsáveis pelo marketing do Guarani de Divinópolis em Minas Gerais.

O Clube recentemente foi campeão mineiro do Módulo 2, o que corresponde à segunda divisão do Campeonato Mineiro, e em 2019 disputará a primeira divisão. Sinônimo de mais visibilidade, melhores patrocínios e cotas de TV.

Outro aspecto que assola os clubes do interior e afeta diretamente o rendimento financeiro e o departamento de marketing é o calendário. Uma discussão antiga, que expõe a realidade da maioria dos clubes de futebol hoje no Brasil. Atuando somente quatro meses no ano, jogando somente o campeonato regional, na maioria dos casos, eles deixam de arrecadar nos outros sete meses de atividade que teriam no ano, levando em consideração um mês de pré-temporada.

Para Castro, passar os clubes de massa no ranking de seguidores nas redes sociais é uma tarefa impossível – mas que poderia ter sua diferença diminuída, caso o calendário das equipes do interior fosse repensado.

“Se tivéssemos um calendário para os times chamados pequenos provavelmente ajudaria a ter um maior engajamento”. Reitera.

 

Foto do destaque: designleitao

Jornalista, graduado pela UniBH, Especializado em marketing digital. Um apaixonado pelo futebol e pelos esportes de aventura. Atualmente atua como repórter e colunista do portal de marketing esportivo Brand Bola.

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