Nem só de estádio “padrão FIFA” viverá o homem | Por Moisés de Oliveira

Nos rincões da América do Sul, o velho e bom futebol tem sobrevivido às garras da modernidade, que nem sempre significa melhoria.

Quem acompanha os textos de minha coluna aqui no Brand Bola, já percebeu que sou mais que um representante da “velha guarda futebolística”, quase um militante político em prol dos antigos e bons hábitos do futebol de outrora. Principalmente no que corresponde aos preços astronômicos que o futebol moderno nos impõe, sejam em artigos, uniformes, ingressos ou as chatices que a FIFA vem implantando no esporte.

Mas em alguns lugares – em especial aqui mesmo, na América do Sul, o “futebol raiz”, termo que vem se popularizando, e que expressa a insatisfação do antigo torcedor com algumas modernidades – que em nada exaltam o esporte mais popular da terra, o velho e bom futebol parece viver feliz.

Recentemente, fiz uma viagem de férias a Santiago, no Chile, e como não poderia fugir do que já é uma tradição para mim em cada cidade que visito, fui assistir a uma partida de uma das equipes locais, a Universidad de Chile.

Antes de mais nada, é importante saber que no Chile não existe filas para compra de ingressos – somente se consegue adquiri-los via internet (um ponto para o futebol moderno), o que facilita muito a vida dos torcedores. Mas a melhor parte na compra do ticket é sem dúvida o preço: Por não mais do que 5,5 mil pesos se consegue ver um jogo de futebol. O que, se convertendo em reais, em cotações atuais, obtém-se o valor de R$ 30,00 reais.

Nas redondezas do Estádio Nacional, as barracas com as iguarias típicas parecem engolir os transeuntes: vende-se de tudo que se pode imaginar, de um despertador com as cores da La U, passando, claro, por camisas, gorros e cachecóis. Exceto a cerveja. Não por que seja uma proibição como aconteceu no Brasil, em alguns estados. No Chile é proibido consumir bebidas alcoólicas em locais públicos.

No interior do estádio nada de luxo, “o concreto emana do povo”, no máximo cadeiras – que não são utilizadas porque a torcida inflamada, ensandecida… não pára de cantar um minuto e não se assenta. Foguetes, sinalizadores, bandeiras, instrumentos. (10 mil pontos para o velho futebol). É isto mesmo: FOGUETES. Se é permitido adentrar com fogos de artifícios no estádio. Boquiaberto? Foi como fiquei também, quando vi integrantes de torcidas organizadas portarem um número alto de explosivos.

Depois disso, nenhuma outra frase povoou meus pensamentos a não ser esta: “Isto no Brasil acabaria em m…” Uma outra discussão, para outra hora. Implica sobre valores e na educação que nos é oferecida em nosso país.

É ruim ter que admitir, mas talvez ostentarmos o honroso título de “país do futebol”, seja um pouco demasiado, por vezes até soberbo. Os estádios têm ficado cada vez mais vazios, com exceção de um ou outro clube de massa que pontualmente arrasta um grande público em uma partida importante. Está aí Campeonato Carioca deste ano, e outros mais, que não me deixam mentir.

Para um saudoso e quase melancólico “geraldino” que sou, estar no meio de La Hinchada chilena transportou-me à minha infância e adolescência, onde eu conhecia cada “curva sedutora” da Geral. Uma típica e quase relação de um garoto que se apaixona por uma mulher mais velha, e ela o põe em devaneios. Me perdoem os religiosos, mas o certo é que “nem só de estádios padrão FIFA viverá o homem”. E tenho dito!

Belorizontino, graduado em Publicidade e Propaganda pelo Centro Universitário de Belo Horizonte – Uni BH, Especialista em Gestão Estratégica de Marketing pela Una. Foco de Mercado em Marketing Digital e Esportivo.

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