Juca Show – Uma história de valorização de ídolo

O ano era 2008. Não era um ano muito bom para o América-MG. O Coelho, que estava a quatro anos de completar o seu centenário (em 2012) ficou de fora da elite mineira pela primeira vez na história, e disputou o Módulo II do Campeonato Mineiro, após cair de divisão em 2007.

Antes de um jogo totalmente atípico e diferente, na cidade de Santa Luzia-MG, Região Metropolitana de BH, eu estava em um bar/trailer, na porta do “Estádio Frimisa” do adversário do América no dia: União Luziense.

Enquanto alguns torcedores americanos bebiam as suas cervejas e comiam os seus churrasquinhos, um ídolo e ex-jogador aparece: Juca Show. Ele jogou no América no início da década de 70, e também chegou a atuar pelo Uberaba Sport Club (no início de carreira) e pelo Paysandu.

Ele sempre ia aos jogos do Independência, e era muito comum vê-lo pelos bares e arquibancadas. Sempre com roupas simples, não tão novas e pouco dinheiro no bolso. Afinal, na época em que ele jogou o futebol não rendia os mesmos valores que hoje.

Mas neste dia vi algo de diferente em Juca: ele usava uma camisa novíssima, “do ano”, e que estava completamente coberta por autógrafos. E alguns torcedores, como sempre, o cercavam.

Juca Show e Jotapê Saraiva. 2008. Estádio Frimisa, Santa Luzia-MG. União Luziense 2 x 4 América-MG.

Achei bem legal: “Poxa! Bacana! Um ex-jogador, ídolo, vestindo uma camisa autografada pelos atuais jogadores. Provavelmente, um presente da diretoria americana.”

Mas eu estava errado. Primeiro: não foi o América que o presenteou. Segundo: os autógrafos não eram dos jogadores, mas sim dos torcedores, os mesmos que lhe deram a camisa oficial de presente.

Cada autógrafo na camisa era de um torcedor que colaborou na “vaquinha” para presentear Juca que, apesar de ter sido um jogador profissional, não tinha uma camisa do América em bom estado para acompanhar os jogos.

Juca, após receber e vestir a camisa, escutando vários gritos de seu nome sendo proclamado, muito emocionado, afirmou: “Vocês, torcedores americanos, é que são os meus ídolos, e não o inverso. ”

Assistindo aquilo, vendo um caminho inverso de história de fã e ídolo sendo construído, tive aquele momento guardado para sempre em minha mente. Juca faleceu anos depois, no dia 31 de dezembro de 2011, vítima de câncer.

Sobre a ligação desta história com o marketing e o futebol? Simples. Casos como este mostram que o “marketing de torcida”, aquele – criado pelos consumidores do clube, é muito cativante e precisa ser inclusive apoiado pelas diretorias dos times.

Fator histórico, de identidade: Valorizar a história de um ídolo, criar situações que mostrem aos torcedores mais jovens o porquê daquele clube existir até hoje, são partes fundamentais de um processo de comunicação e fidelização.

Afinal, o presente e o futuro são importantes, mas eles jamais existiriam se o passado não tivesse sido registrado também.

 

Belorizontino, graduado em Publicidade e Propaganda pelo Centro Universitário de Belo Horizonte – Uni BH, Especialista em Gestão Estratégica de Marketing pela Una. Foco de Mercado em Marketing Digital e Esportivo.

4 comentários sobre “Juca Show – Uma história de valorização de ídolo

  1. Igor Proença disse:

    Boa noite. Excelente texto João Paulo. Estudamos juntos, fiquei feliz de ler um texto bacana com os verdadeiros valores do futebol, nossos ídolos e claro nós torcedores. Só lembrando que o clube do povo é o America. Abraços

  2. Lincoln disse:

    Jotapê, parabéns pelo artigo.Muito oportuno lembrar do Juca Show.
    Deu muitas alegrias ao América.Um grande Clube se faz com reconhecimento aos valores do passado.
    E graças a colaboração de pessoas como você.
    O América está agora no caminho certo. Difícil repetir o Deca nos dias de hoje.Mas vamos conquistar muitos títulos.
    Começamos bem e reconhecemos o trabalho de todos que fazem o América.A torcida já começa a se identificar mais com seus jogadores. Então eles rendem mais em campo. Exemplo foi o Bi do Anos passado. Estadio cheio.Só alegria .Foi emocionante.Valeu fazer uma viagem de 600 km com a familia para ver o Coelhão. Este ano promete… Grande abraço!

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