A ‘casinha’ do Grêmio está ‘cheia’

O ex-presidente do Atlético-MG, Alexandre Kalil, disse certa vez em entrevista que “marketing nada mais é, do que da bola na ‘casinha'”. Frase para deixar qualquer profissional de marketing em desalento.

Nessa época do ano em que o futebol brasileiro se coloca de férias, o último dos moicanos a entrar de recesso esteve nos Emirados Árabes Unidos, se digladiando com uma das maiores forças do futebol mundial, o Real Madrid. O Grêmio mostrou que a retórica de Alexandre Kalil, não é totalmente uma falácia.

Evidente que o marketing hoje ocupa um lugar de destaque em qualquer grande empresa do mundo, e, elas gastam rios de dinheiro com estes departamentos, obtendo um retorno positivo na grande maioria das vezes. Mas, no futebol as coisas não funcionam dessa forma. Aí que a frase de Alexandre Kalil começa a soar menos aterradora. Não se consegue fazer um bom trabalho de marketing fora de campo, se as coisas nas quatro linhas não vão bem. O time precisa estar jogando um bom futebol, ganhando jogos e disputando títulos.

Imagem: optclean

É impossível pensar em um clube que está caindo para a segunda divisão, por exemplo – vender camisas, angariar bons patrocínios e vender ingressos para seus jogos. (este último, com uma exceção para os times de massa).

Nessas condições, o clube perde credibilidade de mercado, e dialogar com seu público visando um retorno financeiro passa a ser uma tarefa enfadonha. Uma empresa comum não padece desse mal – pode existir um ou outro fator que enfraqueça a sua imagem, mas nada parecido no contexto em que se engloba um time de futebol. O time em campo precisa estar voando.

Só com a conquista da Copa Libertadores da América, o Grêmio de Foot-Ball Porto Alegrense recebeu com premiações R$ 25,5 milhões e, poderia ter recebido, se conseguisse a façanha de desbancar os espanhóis do Real Madrid, na finalíssima do Mundial de Clubes, mais R$ 16 milhões pelo feito – totalizando assim, a bagatela de R$ 41,5 milhões nos cofres do clube, só nas duas competições. Financeiramente perfeito, e mais ainda para a imagem do clube que se consolida no topo do continente sul-americano.

Imagem: trollabola

De acordo com o jornal Zero Hora, o Tricolor Gaúcho dobrou as vendas de camisas no período correspondente de Fevereiro a novembro de 2017, em relação ao mesmo período do ano passado. Isto em cifras equivale a um faturamento de R$ 21 milhões.

Em um levantamento feito pelo site Globo Esporte.com, que tratou de traçar a média de público do clube nos jogos em casa, pela Libertadores, a Arena do Grêmio contou com 36.276 pagantes em média. Com uma renda de R$ 2.299.905 por jogo. Somados todos os 11 jogos que disputou em casa na competição continental, somente em renda de jogos o clube arrecadou R$ 25.298.955 milhões.

É, de fato, preciso considerar que os fatores se complementam, o time indo bem em campo, e seu departamento efetuando o trabalho que lhe é de competência. Só assim é possível colher bons frutos no marketing esportivo – seja qual for o esporte. Mas Convenhamos: Em um cenário como este, o pessoal de marketing “deita e rola” – como diria o gordinho Walter. E claro… sem ofensas.

 

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