O Negócio Futebol, por Moisés de Oliveira

Os clubes também são marcas, e devem buscar agir como tal, explorando o capital e o lucro, mas respeitando o seu torcedor, o seu público

Você já deve ter escutado algo sobre o valor que as marcas possuem, não é mesmo? E claro… esse valor está intimamente ligado ao valor monetário de fato, mas junto dele vários outros fatores são levados em consideração para se mensurar o real valor de uma marca ou empresa.

Como sabemos, há algum tempo que os clubes de futebol deixaram de ser apenas um objeto de paixão, em que seus dirigentes são levados a tomar decisões mais por suas vísceras emocionais do que propriamente coesas e centradas dentro da razão – transformando assim, a instituição de futebol em uma empresa que visa e gera capital.

Em fins de setembro passado a BDO Brazil, empresa especializada em consultoria e auditória tributária –, divulgou um ranking com 40 clubes brasileiros elencados pelo valor de suas relativas marcas.

O Flamengo é o clube da dianteira, tendo sua marca avaliada em R$ 1.693,8 bilhões, seguido por Corinthians com R$ 1.593,9 bilhões; e Palmeiras com 1.123,8 bilhões. Atlético-MG com R$ 502,7 milhões e Cruzeiro R$ 485,4 milhões – seguem na 7° e na 8° posição, respectivamente.

Entre os fatores que podem ser considerados para mensurar o valor de uma marca está tudo aquilo que identificamos como aspectos tangíveis e intangíveis. Exemplo: os tangíveis são todos os patrimônios físicos que o clube possui –, como estádios, sedes administrativas, clubes, etc… Na categoria dos intangíveis aparece tudo aquilo que podemos taxar de abstratos; como participação em redes sociais, potencial de vendas de seus produtos, patrocínios e direitos televisivos e a fidelização. Este último, diretamente ligado à quantidade de torcedores.

Mostrando que quando se fala que o maior patrimônio de um time de futebol é a sua torcida, não é apenas uma falácia. Os torcedores são o público da marca – são eles que irão comprar os ingressos e que irão consumir os produtos, gerando fluxo e movimentação no caixa. Sem a torcida o “negócio-futebol” pára.

IMAGEM: Marketing De Los Desportes

Dentre os que obtiveram maior valorização de marca, apresenta-se a Chapecoense. Ela que estava avaliada em 2016 em R$ 33,2 milhões, atingiu em 2017 a casa dos R$ 65,2 milhões. Pulando da 34° posição para 18°. Sabe-se, tristemente, que muito dessa valorização deve-se à tragédia ocorrida com o time da Chape, em novembro do ano passado, na Colômbia, onde 71  pessoas perderam a vida na queda do avião que transportava a delegação para o primeiro jogo da final da Copa Sulamericana.

A exposição maciça na imprensa mundial sobre o fato ocorrido, de certa forma acabou promovendo o clube, que já fazia um bom trabalho de gestão administrativa e publicitária.

No Brasil, o conceito de gestão empresarial nos clubes é muito recente. Somente após anos de sucessivos erros, e consequente enforcamento da maioria dos clubes em dívidas, foi onde seus mandatários atinaram para a relevância de administrações sérias e responsáveis.

Uma vertente importante para a consolidação dessa prática positiva foi a criação do PROFUT. Os clubes que aderiram ao programa contaram com uma grande redução das dívidas junto à união e em alguns casos, o seu parcelamento. Tendo os clubes também, se comprometido a tomarem diversas medidas contra os desmandos e suas más administrações.

Todas essas ações, somadas à uma ótica atenta de mercado e oportunidades de negócios bem executadas e aproveitadas podem valorizar a entidade desportiva, dando-lhe uma saúde financeira plena. Afinal, não são por esses caminhos que qualquer boa empresa trafega?

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